segunda-feira, 4 de agosto de 2014

FESTIVAL DA CERVEJA


Festival apresenta 400 rótulos de cervejas em São Paulo

Cervejarias usam pimenta, coentro, cacau e tangerina para fazer a bebida.
Evento reuniu 15 mil pessoas em 3 dias no Centro de Exposições Imigrantes.


Cardápio da Mistura Clássica ainda tem as cervejas Porreta, Virgulino, Amnésia, Pan Head e Matilde. (Foto: Glauco Araújo/G1)

O festival Degusta & Beer reuniu mais de 400 rótulos de cervejas durante três dias de evento no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Segundo os organizadores, cerca de 15 mil pessoas passaram pelos estandes montados no local para tentar desvendar os ingredientes usados pelos cervejeiros em muitas receitas engarrafadas.

E o conteúdo das garrafas ou das torneiras das chopeiras mostrou uma diversidade de aromas que vão muito além do lúpulo e do malte. Algumas das bebidas tinham marcas significativas de chocolate, pimenta, páprica picante, coentro, lima da pérsia, tangerina, blueberry, baunilha, café e até pinhão.

A cervejaria Bodebrown foi eleita a melhor do país em 2013 e 2014 e arrematou 11 medalhas no Mondial de lá Bière, no Canadá. A Stone/Bodebrown Cacau IPA leva quatro maltes e cacau de Ilhéus (BA). "É o melhor terroir de cacau do país e talvez do mundo. Foi uma tremenda coincidência conhecer quem produz cacau na região e casar o produto de excelência com a nossa vontade de usar um ingrediente legitimamente brasileiro", disse o cervejeiro Samuel Cavalcanti.

Pernambucano, ele disse que bode está na moda, mas não foi esse o motivo para a escolha do nome da cervejaria, há cinco anos. "Sou de família que não tem sobrenome importante. Minha avó, Maria Amélia, sempre brincou que somos parentes de negros, índios e portugueses. Nossa família cria bode há 200 anos e foi dela a ideia de dar esse nome para a cervejaria. E assim ficou", afirmou Cavalcanti.

A Bodebrown usa até Kombi para comercializar a bebida. "Não precisamos de energia, temos um sistema otimizado de gás e seis serpentinas que gelam a bebida em pouco espaço e isso nos dá mobilidade."

No cardápio da cervejaria tem a Perigosa IPA, como 9,2% de graduação alcoólica, mas a Double Perigosa tem 15,1% e é considerada a mais forte produzida no país. A segunda mais forte da cervejaria é a Tripel Montfort, com 10%.

Espuma picante
Cervejaria Saint Gallen criou a Therezópolis Pepper Ale, feita com pimenta calabresa e páprica picante. Segundo a sommelier Cleite Couto, a primeira produção sazonal foi de 2,5 mil litros da bebida em chope. A empresa já pensa em envase. "O sucesso foi tão grande que estamos pensando em produção maior para ampliar o mercado. A procura foi grande e esgotou tudo em 20 dias."

Para quem não gosta de pimenta na comida, alguns goles da Pepper Ale podem assustar no começo, mas o retrogosto (gosto que fica na boca após a ingestão da bebida) é suave e de menor intensidade que a pimenta ingerida como tempero. A bebida, por enquanto, é comercializada apenas em Teresópolis, na região Serrana do Rio.

Cerveja no brigadeiro
A cervejaria Colorado resolveu fazer uma experiência gastronômica com sua bebida Demoiselle, que tem sabor acentuado de café. "Por harmonizar bem com doces e sobremesas, resolvemos fazer uma parceria com a Brigadíssimo e fornecer a bebida para que uma receita do tradicional brigadeiro fosse feita com a cerveja. E deu certo", disse Fernanda Ueno, cervejeira responsável pela marca.

O brigadeiro de cerveja ganhou apelido de "brejadeiro". Quem quiser arriscar fazer o doce em casa, basta fazer a receita tradicional e adicionar um pouco da bebida reduzida no fogo para perder o teor alcoólico e ficar com uma cara de caramelo. "A proporção vai de acordo com o gosto, não há uma quantidade exata para colocar a cerveja no doce", explicou Fernanda.

Nem tão brasileiras
A cervejaria Júpiter criou uma bebida com referência belga, a Tânger, feita de raspas de tangerina, semente de coentro e camomila. O aroma da cerveja é bem frutado e o sabor deixa pouco amargor na boca.

Já a Meia-noite leva baunilha e harmoniza bem com doces e sobremesas. "A Tânger entraria muito bem na gastronomia japonesa, casa bem com temaki, por exemplo, e com pratos feitos com frutos do mar", disse o cervejeiro David Michelsohn.

A cervejaria Mistura Clássica desenvolveu a Volúpia, feita com blueberry (fruta típica da América do Norte) e tem graduação alcoólica de 9,3%. A Miragem tem em sua composição ingredientes como tangerina, abacaxi, lima da pérsia e sementes de coentro.

Sabor típico do Paraná
Um dos sabores genuinamente paranaense é o do pinhão. A iguaria está presente em muitas receitas de festas juninas pelo país, mas a Cervejaria Insana resolveu colocar o ingrediente dentro da garrafa de cerveja. A Insana Pinhão Barley Wine tem teor alcoólico de 8,5% e a produção precisa ser sazonal, brindando o início do inverno, época de colheita autorizada da semente no Paraná.

"Foram feitas 15 mil garrafas, já esgotadas. Produção é anual e tem indicação de data no rótulo. Pela legislação, a cerveja precisa ter validade de até um ano, mas o sabor dessa cerveja fica melhor com dois anos de maturação. E tem um detalhe, essa cerveja pode ser servida entre 9 e 12 graus de temperatura que fica ótima também", disse Pedro Reis, mestre cervejeiro da Insana.

Folclore brasileiro engarrafado
A Cervejaria Nacional optou por dar nomes típicos da cultura popular brasileira e de lendas urbanas em seus rótulos. "A gente busca essa identidade nacional, que temos desde o nome da cervejaria e queremos levar para a bebida", disse o cervejeiro Vitor Ribeiro.

No cardápio da empresa estão a Y-Îara Pilsen. Pelo folclore, trata-se da Mãe-d'água. Já na receita, trata-se de uma pilsen estilo tcheco, com puro malte e lúpulo.

A cerveja IPA da marca recebeu o nome de Mula., mas a assombração folclórica quase que invadiu a reunião dos sócios para definir o nome da bebida. "A gente não sabia se colocava mula sem cabeça, só mula, ficamos um tempo em dúvida. Passado algum tempo, um dos sócios disse que seria Mula e ponto. Por isso o nome tem o ponto depois da mula", brincou Ribeiro.

A marca ainda tem a Kurupira Ale e a Sa'Si Stout, ambas seguindo a linha folclórica. Já pelo lado da lenda urbana, a marca tem a Domina, uma cerveja weiss inspirada na Dama de Branco, que trata-se de uma mulher vestida de branco ou uma alma penada que seduz os homens. Para encerrar o cardápio, Ribeiro produz sazonalmente a Saravá, que tem 9% de teor alcoólico, e a Betume, com 11% de graduação alcoólica.
Cervejaria Saint Gallen cria a Therezópolis Pepper Ale, feita com pimenta calabresa e páprica picante. Primeira produção sazonal foi de 2,5 mil litros da bebida e a empresa já pensa em envase. (Foto: Glauco Araújo/G1)

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/08/festival-apresenta-400-rotulos-de-cervejas-em-sao-paulo.html

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